Neurocientista compartilha dicas para lidar com estresse

de 11/08/20 em Dicas que Curam, Notícias, Stress Detox
Reações químicas no cérebro definem comportamentos antes associados à fraqueza psicológica

Quanto mais a ciência explora o cérebro humano, mais evidente fica que devemos manter ‘ligado’ o sentimento de autocompaixão.

O que aprendemos ser traços de fraqueza psicológica, para neurocientistas trata-se apenas de uma reação química.

“Se entendemos o processo químico por trás das coisas, conseguimos nos perdoar. É auto-libertador. E permite que sejamos melhores”, afirma a médica Amy Arnsten, professora de neurociência e psicologia da Universidade de Yale.

Para essa área da ciência, não existe diferença entre uma doença mental e um problema neurológico.

A professora de Yale decidiu compartilhar conhecimentos e divulgou material sobre as reações químicas que acontecem no cérebro para ajudar a lidar com os elevados níveis de estresse durante a pandemia do coronavírus. A médica concedeu uma entrevista ao jornal Hartford Courant, de Connecticut.

Veja o vídeo: “The Brain’s Response to Stress – How Our Brains May Be Altered During the COVID-19 Pandemic”

Ela aponta para comportamentos como distração, falta de memória, desorganização e falta de vontade como sintomas de que o estresse, ou uma certa reação química, está acontecendo no nosso cérebro.

Stress pode ‘desligar’ o córtex prefrontal que controla a capacidade de julgamento e o uso do conhecimento. Então, circuitos do cérebro responsáveis por reações mais primitivas, como respostas a ameaças passam a cotrolar nossas reações. O resultado são reações automáticas, geralmente agressivas.

A médica destaca que esse circuito é responsável por reações capazes de salvar vidas, como uma reação quando o carro sai da estrada. “Nesse momento você para de pensar nos planos para ir a uma festa no sábado à noite e pisa no freio rapidamente. Mas se a ameaça é um vírus invisível, perder as funções pré-frontais não tem utilidade e pode ser ainda mais perigoso”, disse.

Amy Arnsten afirma que a exposição a estados prolongados de estresse provocam mudanças químicas que alteram a arquitetura cerebral, podendo levar à desconexão entre o córtex pré-frontal e as demais áreas do cérebro. Mas essa conexão pode ser recuperada se o estado de estresse for controlado e conseguirmos reduzir as reações químidas decorrentes dele no cérebro.

E como fazer isso? A professora ensina a reduzir essas reações químicas no cérebro:

  • Praticar exercícios
  • Comer de maneira sauda’vel
  • Dormir bem
  • Fazer coisas importantes
  • Ajudar os outros
  • Escutar suas músicas favoritas
  • Criar experiências belas para si mesmo

Pesquisa investiga o que faz uma pessoa gostar do lugar onde mora

de 28/07/20 em Dicas que Curam, Notícias

O que torna um lugar ideal para morar? Que características satisfazem os desejos e necessidades de uma pessoa? 

Um professor de psicologia e urbanismo da Universidade do Estado de Michigan analisou estudos realizados entre 1981 e 2018 e descobriu que gostar do lugar onde se mora tem mais a ver com experiências pessoais do que com características do local.

Zachary Neal revisou 27 estudos que envolveram mais de 250 mil adultos em 11 países e descobriu que o lugar tem pouca influência na percepção se o local de residência é bom ou não.

O professor estima que apenas 16% das pessoas se diz satisfeita devido às características do lugar, como boas escolas, calçadas e ruas bem-cuidadas ou outras características como vemos nos realities de compra e venda de imóveis.

Mas o que espera a grande maioria? Segundo Neal, para 84% das pessoas são a personalidade e a maneira de encarar a vida que define a percepção sobre o lugar de moradia.

Ou seja, uma pessoa normalmente otimista tende a gostar mais do lugar onde mora, independentemente das caraterísticas do lugar. Já o pessimista tende a ficar insatisfeito em qualquer lugar.

Em outro estudo analisado por Neal, ele percebeu diferença nas percepções de proprietários e locatários. Uma pesquisa feita em Los Angeles, em 2015, mostra que quem compra um imóvel é geralmente mais exigente em relação às características do bairro ou da vizinhança.

Neal também observou que o nível de satisfação de uma pessoa está ligado a fatores subjetivos, como saber que existem boas escolas no bairro ou ter boas memórias de experiências vividas no local.

Independentemente do motivo, a média de satisfação das pessoas em relação ao local onde vivem é de 7 numa escala de 0 a 10.

Outros estudos analisados pelo pesquisador mostram como o contato com a natureza pode alterar a percepção sobre o local onde moramos ou até mesmo ter impacto na saúde física e mental de modo geral.

Pesquisa de 2018 revela que o contato com áreas verdes traz benefícios à saúde e foi associado com a redução de índices de diabetes, derrames, asma e doenças cardíacas.

Pesquisadores da Espanha compararam o estado emocional de pessoas que podiam caminhar na praia ou próximo a lagos ou rios com outras que desfrutavam apenas de cenários urbanos. O contato com a água foi associado com aumento da sensação de bem-estar e bom-humor.

Entre 2011 e 2014, pesquisadores na Filadélfia, nos Estados Unidos, avaliaram os efeitos da criação de áreas verdes em 342 moradores de uma região. Os que passaram a morar perto desses espaços demonstraram redução em estados depressivos.