Simpatias, rituais…funcionam?

de 11/06/19 em Dicas que Curam, Espiritualidade

Dando uma volta pelo bairro da Liberdade, em São Paulo, na semana passada, me deparei com esses kits, já montados para fazer simpatia para Santo Antonio, cujo dia se comemora no dia 13 de junho.

O santo casamenteiro, como é conhecido, pode ganhar oferendas para trazer um amor para uma pessoa ou pode ser maltratado, já que uma das muitas versões de simpatias para o santo diz para pendurá-lo de ponta cabeça até que ele arrume um parceiro para a pessoa.

Na escolha de agradar ou desafiar o santo, fazer simpatias é algo muito comum no mundo todo. São como se fossem pequenos rituais que fazemos, a todo o momento, mesmo sem perceber. 

Ainda é comum ver pessoas fazendo o sinal da cruz quando passam em frente a uma igreja ou cemitério, batemos na madeira para espantar algum pensamento ou coisa dita, rogamos a Deus sobre os mais diversos assuntos, entre diversas outras práticas.

Eu me lembro de fazer rituais desde menina, e de aprender muitos deles em casa. Engraçado como crescemos com a certeza de práticas que nunca comprovamos, mas que é melhor fazê-las para não correr o risco de algo dar errado. 

Entre o que praticava estava não varrer a casa depois das 6h da tarde, tomar banho antes de tarefas importantes, comer certos alimentos em datas específicas, entre outros. Nunca questionei a lógica, tampouco a eficiência deles; parecia algo perfeitamente normal.

Anos mais tarde, quando passei a estudar teorias de harmonização de ambientes e tomei contato com a teoria dos cinco elementos da medicina chinesa, elementos de práticas xamânicas de povos antigos, entre outras linhas, meu universo de rituais, simpatias se ampliou muito.

Depois, quando decidi estudar na Índia e me formar como instrutora de meditação, tive contato mais profundo com a cultura e as muitas religiões indianas e então esse conteúdo cresceu a proporções que até hoje não consegui mensurar.

Passado o contato inicial, de deslumbramento, com tanta informação e com tantos conhecimentos que eu tinha adquirido – inclusive participei de rituais belíssimos feitos por sacerdotes em templos e em outros locais sagrados, comecei a tentar organizar tudo isso dentro de mim.

Afinal, o que eu iria fazer com tanta informação, com tantos rituais, com tantos deuses, divindades e elementos para eu me relacionar?

Cheguei a brincar que para dar conta de tudo o que eu tinha aprendido, eu precisava acordar às 3h da manhã, iniciar as meditações e os rituais, aí eu almoçava, continuava até a noite e iria dormir.

Dessa reflexão surgiram várias conclusões.  

Não esquecer a vida na prática: Rituais, simpatias e outras práticas são importantes, pois ajudam a nos conectar com nossa verdade interna e com desejos importantes do coração, mas não podemos esquecer que são as atitudes práticas que tomamos no mundo real é que vão trazer os resultados esperados. Já cheguei a cumprir práticas, chamadas sadhanas, que consumiam mais de 3 horas do meu dia. Eu ficava exausta e deixava de fazer coisas importantes por achar que precisava ficar muito tempo me dedicando aos rituais. Uma prática não é mais importante por ser longa. Claro que alguns rituais são mais elaborados, mas podemos fazê-los em datas específicas ou quando sentirmos necessidade.

Escolher algo que faça sentido: contei que na minha tragetória tive contato com conhecimentos vindos da China, da Índia e de outros povos antigos, como índios norte-americanos, tribos aborígenes, místicos do Oriente, entre outros. Durante um tempo eu me forcei a entender e a fazer com que as coisas fizessem sentido. Em outras palavras, eu tentei me encaixar nas práticas. Depois, percebi que o correto é que as práticas de encaixem em mim. Ou seja, preciso praticar o que faz sentido, o que me deixa feliz, e também o que é possível. Portanto, estude, experimente, explore, mas escolha práticas que fazem sentido de alguma forma para você.

Pratique: não é necessário estipular uma duração ou criar uma rotina muito rígida, mas coloque, sim, na sua agenda um tempo para exercitar sua conexão com você mesmo ou com um desejo. O que hoje chamamos de espirtitualidade não é um dom que recebemos do nada, é um treino, um exercício que traz resultados dia após dia. 

Mude de prática: ao longo da minha jornada de estudo eu já alterei diversas vezes as minhas práticas e rituais. Isso faz parte. Não se prenda a conceitos de que precisamos praticar as mesmas coisas a vida toda. À medida que vamos evoluindo ou queremos lidar com uma determinada questão, podemos buscar uma prática mais adequada.

Foque na experiência: já participei de rituais em que as pessoas liam os passos e realizavam as etapas de maneira mecânica. Não é assim que se faz. Mais importante do que seguir os passos à risca, é importante prestar atenção à experiência. Estar conectado a uma intenção, se deixar envolver pelos elementos (se houver música, cheiros), perceber o que acontece internamente enquanto a prática se desenrola. Caso contrário, o ritual torna-se apenas uma experiência mecânica, algo a ser cumprido, como uma obrigação.

Não existem milagres: é sempre importante deixar claro que não existem milagres. Se algum desejo é realizado, se alguma meta é cumprida de forma rápida ou se coincidências acontecem de forma impressionante é porque isso já estava previsto para acontecer na sua vida. Rituais, simpatias e outras práticas apenas podem acelerar o resultado. Costumo dizer que é como se dessemos um salto, mas dentro da nossa própria linha do tempo. 

Ter um objetivo maior: todas as práticas podem ter objetivos pontuais, mas eles devem estar realacionados a um objetivo maior, mais amplo. Portanto, podemos usar rituais para realizar desejos, mas se mantivermos o foco numa jornada consistente para expandir nossa consciência, vamos perceber que precisamos cada vez menos de rituais. E assim, cada gesto que realizamos, mesmo os mais simples e mudanos se transformam, por si só, num belíssimo ritual.

Que assim seja!

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