Como a espiritualidade pode ajudar no empoderamento feminino

de 07/06/19 em Dicas que Curam, Espiritualidade

Características geralmente associadas ao gênero feminino são historicamente ligadas à fragilidade, à força física inferior, à dependência, à inferioridade em relação do gênero masculino.

Em relação à espiritualidade, são muito comuns pensamentos em torno de imagens de santos, que dominam pensamentos e sentimentos, seres que conseguiram sublimar a condição humana e vivem em um estado de calma inabalável, reclusão, como se vivessem fora da realidade mundana.

Talvez seja por esse motivo que vejo tão poucas associações entre espiritualidade e poder de gênero sem o uso de clichês.

No mundo hoje, em que as mulheres precisam conquistar o seu espaço, lutam por direitos iguais em diversas áreas e, cada vez mais, entende-se que é preciso ainda fazer muito para mudar um cenário imposto de inferioridade, pode soar estranho apelar para a espiritualidade como um aliado nessa luta.

Quem é que quer hoje uma mulher zen? Como uma pessoa fora da realidade poderia ser útil para ajudar a mudar esse cenário de desigualdade?

Mas aqui existem várias distorções, todas fruto de um condicionamento histórico.

Sabe-se, por inúmeras fontes antropológicas e históricas, que as sociedades antigas viviam em harmonia em um sistema conhecido como matrilinear. Não matriarcal, como se costuma dizer, pois não havia domínio de um gênero sobre o outro. Tudo era compartilhado e visto como responsabilidade da comunidade, desde animais, colheita, caça e até mesmo as crianças, que carregavam o nome das mães, já que não era conhecida a paternidade dos nascidos. Em algum momento, o homem tomou conhecido do seu papel na reprodução humana (a teoria mais aceita diz que foi a partir da observação da criação de animais domésticos) e então as coisas mudaram. A partir daí, o homem passou a exercer domínio sobre as mulheres, o conceito de propriedade ganhou força e as mulheres foram relegadas a um plano inferior. Ainda na antiguidade, diversos mitos e lendas foram reescritos para inferiorizar a mulher e características, antes consideradas sagradas, passaram a ser interpretadas como imperfeitas, erradas e até mesmo demoníacas.

No quesito espiritualidade, a Idade Média e a caça às bruxas promoveram uma dissociação entre ciência e espiritualidade. O conceito de ‘conhecimento infalível’, atribuído à Igreja, conduziu conhecimento no mundo Ocidental por séculos.

São conhecidos casos de vários cientistas que foram obrigados a esconder ou a desmentir suas descobertas a fim de preservar a vida. Alguns dos mais famosos são Copérnico e Galileu Galileu, apenas para citar alguns.

No século 17, Isaac Newton inicia estudos para ver se conseguiria provar cientificamente a teoria de René Descartes, criada um século antes, de que o universo funcionaria como um grande mecanismo. Newton faz equações e conclui que o Universo é uma máquina, composta por matéria, criando o que ficou conhecido como Materialismo, a ciência baseada na matéria.

Nas suas equações, não havia Deus, espírito ou qualquer outra força invisível.

Segundo ele, o Universo tinha dois lados, o físico (mecânico) e o não–físico, invisível.

Assim, a mente foi separada do corpo, pois era composta de materiais diferentes e também eles não interagiam sobre si.

O que hoje parece absurdo, serviu na época para fortalecer a ciência e permitiu que pesquisas se desenvolvessem sem interferência da Igreja. A ciência e os cientistas estudariam apenas coisas relativas ao mundo físico. Já tudo que pertencesse ao mundo invisível continuaria a cargo da Igreja.

E assim, consciência e mente foram separados do corpo.

A partir daí, tudo o que significava ação, realizações no mundo concreto não poderiam ser fruto da mente. Trabalho, pesquisas, números passaram a conduzir a nossa vida em prol do desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias.

Nesse cenário, a mente, consciência, alma ou espírito não poderiam criar nada de concreto no mundo.

Há algumas décadas, no entanto, a própria ciência se voltou para temas e assuntos metafísicos, motivadas por descobertas no campo da física quântica (como o núcleo de substâncias atômicas pode ser vazio?) e pelo aumento do interesse por práticas espirituais do Oriente.

Vivemos então, uma época de descobertas e de aprendizados, mas também uma época de desaprendizados, já que precisamos rever conceitos que determinaram nosso modo de pensar, e como consequência, de agir.

Portanto, revendo as informações de como fomos ensinados a entender e a pensar o feminino e a espiritualidade, podemos refletir e usar melhor as poderosas ferramentas que temos à disposição: nossa espiritualidade e as características inerentes ao feminino.

Espiritualidade: independentemente da religião, desenvolver a nossa espiritualidade passa por um processo de expansão da consciência. Ampliar a consciência significa considerar que todas as formas de vida estão interconectadas, que as atitudes impactam igualmente quem pratica e todos os demais. Significa viver com discernimento e no presente, podendo estar presente para todas as situações da vida e também para os outros. Significa viver com alegria. Significa poder acessar o seu poder pessoal, a partir da conexão com seu poder interno e com a fonte de poder infinito do Universo.

Feminino: exercitar ou cultivar características femininas significa nutrir, unir, acolher, ensinar, ajudar, compartilhar. O feminino tem como objetivo a preservação de toda a vida e harmonia no mundo natural e age sempre a partir da responsabilidade de contribuir com o equilíbrio, dentro e fora de si mesma, no pessoal e coletivo, no micro e no macro. Essas características nada tem a ver com fragilidade, pois é necessário grande força e poder internos para criar, acolher e compartilhar. 

Como diz a estudiosa do Sagrado Feminino, Mirella Faur, “Ultimamente, mulheres ativistas e politizadas começam a se abrir para os mistérios sagrados femininos, enquanto as que estavam apenas no crescimento transpessoal e no aspecto cerimonial, canalizam cada vez mais suas energias e sabedoria intuitiva para as transformações sociais e o serviço planetário.

Partindo desses dois pilares, que são convergentes, podemos estabelecer novas atitudes, criar estratégias com base na união e na conexão. Reaprender as características inerentes ao feminino e cultivá-las leva à expansão da consciência. Igualmente quando nos conectamos com o todo, resgatamos os valores do feminino sagrado.

Namastê!

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