Neuro ou neura ciência?

de 25/02/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade
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Nos últimos anos foram multiplicadas as ofertas de especialistas, coaches, cursos, workshops que ensinam técnicas de bem-estar e como manter um bom estado mental, evitar o estresse e ser feliz, entre outras variações.

Nada disso é novo. Eu cresci lendo livros de Louise Hay, Deepak Chopra, fiz diversos cursos do que é genericamente conhecido como auto-ajuda.

Mas recentemente, esses asssuntos ganharam uma nova abordagem, alimentados por conhecimentos ancestrais que passaram a ser explorados em inúmeras pesquisas científicas.

Benefícios da meditação foram medidos a partir de imagens cerebrais, cientistas passaram a medir reações corporais após processos para lidar com estados emocionais e a neurociência detalhou as substâncias associadas a sentimentos.

Adrenalina, cortisol, serotonina, dopamina, oxitocina, entre outros nomes de neurotransmissores, viraram tema de cursos, livros, posts de redes sociais.

Por exemplo, pesquisas mostram que quando no mantemos num estado de gratidão estimulamos o sistema de recompensas do cérebro com a produção de dopamina. Diversas matérias que li sugerem a prática da gratidão para garantir estados mentais mais saudáveis. 

Quer dizer que vou ser grata por algo apenas porque vou ganhar algo em troca?

Leio uma matéria em um importante jornal que a ‘Neurociência explica porque temos fome de pele de precisamos de abraços’. Sério que precisamos mesmo justificar isso?

Enquanto é positivo que a ciência entenda cada vez mas o funcionamento do cérebro e da sua bioquímica,

Pra mim, isso tudo está mais para neuraciência do que neurociência.

Leio coisas do gênero: Você sabia que emoções negativas podem criar caos no sistema nervoso, mas emoções positivas fazem o oposto?

E aí eu me pergunto, é preciso saber disso para que eu não queira ter emoções negativas? Antes de saber que posso estar estimulando caos no meu sistema nervoso, eu estava me divertindo tendo emoções negativas?

Uma outra matéria revela que ‘Estudo da universidade de Boston mostrou que as pessoas otimistas costumam ter de 11% a 15% a mais de tempo de vida do que os pessimistas.’

Sério? Entre 11% e 15% a mais de tempo de vida farão você desistir de ser pessimista? Caso ser pessimista não encurtasse sua expectativa de vida, você iria querer continuar a viver assim.

Não faz o menor sentido.

Médicos ensinam a estimular a bioquímica do cérebro com dicas como ‘dormir de 7 a 9 horas’, ‘rir com pessoas especiais’. Isso pra mim soa muito estranho. Parece que se nosso cérebro pudesse nos manter num estado de calma, alegria, com foco sem que fosse necessário exercitar comportamentos humanos e demonstrar gentileza, ter cuidado com a saúde e com os demais, manter nosso relacionamentos saudáveis, que não faríamos nada disso. Que continuaríamos a viver de maneira egoísta e desconectada com os outros e com nosso corpo. 

E por aí vai. Os exemplos são inúmeros.

Serviços online e especialistas divulgam benefícios como ‘28% menos triste’ ou ‘48% mais energia”.

Para uma pessoa que está triste, o que significa ficar 28% menos triste? Como se mede isso? Eu nunca medi minha tristeza assim. 

Será que precisamos medir em números e com percentuais nosso estado de bem estar? Precisamos de justificativas para sentirmos gratidão?

Precisamos de justificativas para sermos humanos?

Retrocesso espiritual é real

de 22/02/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade
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Temos a estranha noção de que evolução espiritual é algo permanente. Não é. É possível retroceder e, pior, involuir para níveis mais baixos de consciência.

Muitos acreditam que o que é divino é eterno. Um conceito que só pode ter raízes na cultura cristã que moldou boa parte da humanidade por séculos. Mesmo que você não tenha sido batizado ou vivido numa comunidade praticante, pode compartilhar desses conceitos. Fomos ensinados que as propriedades da alma são diferentes das propriedades do corpo e achamos que as conquistas feitas nesse outro plano são de outra natureza. São eternas. Não são. Sinto dizer.

Alma, espírito, energia, consciência, não importa o nome que você dá para as propriedades que não conseguimos identificar a partir dos nossos 5 sentidos são feitas do mesmo material que o nosso mundo físico.

Na Índia, na minha escola de filosofia e meditação, eles dizem que ‘O Homem e Deus são duas pontas do mesmo espectro’.  Ou seja, num nível mais denso, numa realidade física está o homem, e Deus, na outra. Mas ambos são feitos da mesma matéria.

‘O Homem e Deus são duas pontas do mesmo espectro’

Esse conceito é apresentado de diversas maneiras em todas as escolas e religiões.

Explorar esse conceito e meditar sobre ele é de grande ajuda para qualquer um que busca uma jornada sincera de autoconhecimento.

Enfatizei esse ponto porque ele ajuda a entender que é preciso sempre seguir adiante e manter-se atento para não retroceder nas conquistas desses planos sutis.

A melhor maneira de explicar é fazer uma comparação com algo físico.

Eu toquei piano na infância mas estou há 3 décadas sem praticar. Porque eu ainda sei ler algumas notas ou dedilhar algumas notas não faz de mim uma pianista.

Uma pessoa que sempre cuidou do corpo pode engordar e muito, se mudar radicalmente seus hábitos. De que adianta alguém dezenas de quilos acima do peso e provavelmente convivendo com restrições e problemas de saúde que a obesidade trazem ficar dizendo que já foi sarado. Um dia.

O mesmo acontece com os passos dados na jornada espiritual. 

O que você aprendeu, as cargas que conseguiu eliminar, as relações que conseguiu curar, os aprendizados preciosos tirados de experiências de vida não permanecem se não forem exercitados.

Podemos ser enganados pela impressão de que essas conquistas são eternas porque elas não regridem da noite para o dia. Quando paramos de praticar e de nos mantermos atentos e vigilantes em relação ao nosso estado interno, ainda assim podemos evoluir. 

Mas isso é apenas fruto da inércia. É igual quando alguém está surfando e conseguiu pegar uma onda. Durante um tempo, o surfista pode não fazer nada até eventualmente cair. Ou pode dar mais impulso à prancha e manter-se sobre ela por mais tempo. Depois ele vai voltar e tentar pegar uma nova onda. Se não fizer isso, vai cair e ficar na água, à mercê das ondas e do movimento do oceano

O mais perigoso é que é difícil de admitir e perceber.  É comum acreditarmos na nossa mente que diz ‘Disso eu já sei’, ‘Eu já evoluí’, ‘Já cumpri essa etapa’.

Tudo no universo, e nos multiversos (como já explora a Física Quântica) está em constante movimento. O que pára, morre. Assim também funciona com a nossa jornada espiritual.

Mexa o corpo, mantenha a mente ativa e exercite o espírito!

Namastê!